Os mitos são fontes seguras de interpretação da evolução humana em suas etapas. Quando os observamos, temos a compreensão através de seus símbolos, nuances e detalhes que, através do conhecimento normal, nem sempre conseguimos atingir. A astrologia está repleta de símbolos mitológicos, quer seja dos planetas, quer seja dos signos. Confira aqui alguns deles.
ÁRIES
Se analisarmos os mitos ligados a este signo, entenderemos que, para eles, o importante mesmo é o desafio que leva à consecução de uma meta, onde normalmente o ideal está atrás. Entre os personagens que podemos ligar a este signo, um dos mais importantes é o mito de Jasão, os Argonautas e a retomada do Tosão de Ouro. Jasão fica sabendo de um maravilhoso Tosão de Ouro e, por ser difícil de conquistar (aqui entra a necessidade de os arianos lutarem por causas difíceis), resolve, junto aos Argonautas, ir atrás dele. Chega a Cólquida, onde está escondido o Tosão, e Medeia, filha do Rei, o ajuda na conquista e se apaixona por este bravo e intrépido ser. Jasão consegue o Tosão, mas, após a conquista, deixa de lado Medeia e se apaixona por uma princesa mais jovem e bela (aqui vemos a face dos arianos mais volúveis e ávidos por novas conquistas deixando de lado a ajuda que receberam). Só que Medeia não era uma para ser deixada de lado e termina matando os dois filhos que teve com ele e envenenando a jovem que iria substituí-la. (Este é o lado que muitos arianos deixam entrever: o de não valorizar as mulheres ou o lado feminino de seu ser, deixando de lado a paciência, gentileza e simpatia, até mesmo as mulheres arianas agem assim).
TOURO
Para entendermos melhor a natureza dos taurinos é preciso conhecer Vulcano, o marido de Vênus. O divino construtor que trabalha incansavelmente em sua forja preparando os artefatos dos deuses. Estes deuses devem à Vulcano, que através de seu trabalho árduo entregou-lhes os seus divinos pertences. Aqui há um lado dos taurinos que encontram seu lugar no mundo, que é o de empregar sua força e arte na construção do que se propôs, seja um edifício, uma escultura ou administrando uma empresa. Ser útil é necessário para um taurino; no entanto, vemos muitos sem perspectiva, e sem energia para romper com este ciclo. Mas a verdadeira força de um taurino encontra-se na história de Vulcano.
GÊMEOS
Os gêmeos mais famosos da mitologia é que podem ilustrar a face do signo de Gêmeos. Castor e Pólux, filhos de Zeus, são guerreiros e um encarna o lado divino e o outro, o humano (aqui encontramos uma faceta interessante dos geminianos que são quase sempre chamados de tagarelas e superficiais pelas pessoas. Em todo geminiano existe uma dualidade entre o profundo, simbolizado pelo divino, e o superficial, pelo humano). Ao morrerem, Castor e Pólux fazem um pacto com Zeus para que alternem a imortalidade, ou seja, quando um esta no Olimpo, o outro é um simples mortal; no revezamento, eles se encontram. Aqui existe uma natureza dual de Gêmeos que confunde a muitos que convivem com eles: ora um lado seu é cordial, alegre e comunicativo, ora é instável, ranzinza e intratável. A natureza dual ora é informal, ora mediativa em um geminiano e se encontra bem aplicada nas faces dos mitos que a compõem. Equilibrar e aceitar suas diferenças é uma lição importante para este signo.
CÂNCER
Este signo tão intuitivo e de mergulhos profundos está associado ao mito da Grande Mãe, símbolo da fertilidade e nutrição, mostrando a ligação de nossos ancestrais com a Terra que era cultuada e em consequência, as deusas, que eram o expoente da ligação com o divino entre os homens. Ao analisarmos as pessoas ligadas ao signo de Câncer com a Grande Mãe, percebemos que a necessidade que todo canceriano tem de nutrir e sustentar vem de seu envolvimento profundo com este mito, que, em sua história, sempre tem um esposo que é, ao mesmo tempo, seu filho e amante, mostrando-nos a natureza criativa deste signo que, através de sua arte, consegue se relacionar com sua emoção profunda e poderosa. A natureza da Mãe Terra ilustra bem os ciclos com que as pessoas de Câncer se relacionam através das mudanças de estações e luas, envolvendo humores e sentimentos dos nascidos deste signo.
LEÃO
O mito de leão é ligado à busca do Santo Graal na figura de Parcifal, herói órfão de pai que vive em um bosque com sua mãe, ignorante de suas origens. Certo dia conhece alguns cavaleiros, resolver ser um deles, e sua aventura começa após a visão de um grande castelo brilhante, onde um velho rei doente, com um ferimento na virilha, celebra um ritual em que o sangue envenenado é retirada com a ponta de uma lança. Há também uma linda jovem trazendo em uma bandeja, um objeto, conhecido por Santo Graal, taça em que Cristo bebeu na última Ceia. Como sua mãe lhe ensinara a nunca perguntar nada para estranhos, Parcifal cala-se até ouvir gritos e perceber que cometeu um terrível erro, pois, para restaurar a saúde do velho Rei, ele precisaria perguntar: - O que significa tudo isto. Ao despertar desta visão, Parcifal percebe que está cego e que precisa descobrir o castelo para procurar o Santo Graal. Este mito conta-nos sobre a busca do EU, que todo leonino tem, que é o que o personifica e, por vezes o atrapalha quando exagera. É comum leoninos terem algum problema com a figura do pai, como o nosso herói, além de mostrar a necessidade de ir ao encontro de algo maior e desafiador. No final desta história Parcifal, ao “se encontrar”, descobre conjuntamente suas origens ao saber que o velho rei, na verdade era seu pai.
VIRGEM
Este signo introspectivo tem sua representação mitológica na figura da Virgem, simbolizada pela grande deusa, ou a Ártemis, representada com cinquenta seios, mostrando a faceta que nutre e sustenta a vida. No entanto, ela é a virgem de si mesma no sentido de não necessitar de nada além dela mesma. Os virginianos estão finalizando a primeira metade dos 12 signos que compõem o zodíaco, representando os estágios de desenvolvimento pessoal, que é a marca real deste signo, que deseja ter o controle de sua psique, necessitando de isolamento. Os virginianos buscam o aprimoramento e a ordenação de coisas que precisam ser discriminadas para encontrarem o lugar certo. Esta é a forma que eles têm para se integrar à vida de maneira positiva e, desde que não exista exagero, na perfeição que este signo exige. A profundidade dos virginianos em se aprimorar os levará para uma vida plena.
LIBRA
O mito deste signo está ligado à justiça, à lei e ao equilíbrio, que, aliás, são pontos da natureza humana, os quais os librianos se envolvem sempre, no afã de conquistá-los. Astréia, filha de Júpiter e Têmis, vivia na terra entre os humanos, para ajudá-los a ter noções de justiça e leis. Esta era uma época em que não havia guerras em nosso planeta. Com o tempo, os homens acabaram por mudar toda a paz e prosperidade através da ganância e desleixo com suas obrigações. Zeus, irado com esta atitude dos homens, resolve pôr fim à Idade de Ouro do planeta. Astréia, diante deste novo quadro planetário, refugia-se nas montanhas, ajudando a quem a procurasse, até que surge a culminância dos conflitos, gerando guerra e fazendo-a retirar-se para o Olimpo; refugia-se, então, na constelação de Virgem e sua balança na de Libra. Este mito sugere a todas as pessoas nascidas sob a égide deste signo, a necessidade de buscar o equilíbrio através das atitudes racionalizadas, analisadas e, ponderadas, onde a diplomacia, a justiça e a verdade devem imperar para que conquistem uma fase iluminada.
ESCORPIÃO
Para exemplificarmos melhor a natureza de Escorpião, temos que analisar o mito dos doze trabalhos de Hércules quando ele tem a missão de derrotar Hidra, que tem nove cabeças, todas com dentes e veneno mortal. Hércules tenta abater mortalmente Hidra, pois caso resolva cortar suas cabeças antes disto, cada uma proliferará mais três outras cabeças; contudo, quase ao terminar seu trabalho, as cabeças multiplicavam. Então, lembra-se de um conselho dado por um sábio, que Hidra não suportava a luz solar. Hércules a banha com a luz do Sol e a cabeça imortal é enterrada sob a rocha. Este mito fala-nos da natureza do escorpiano, que um dia descobre que tem uma Hidra dentro de si. As cabeças representam: ciúmes, vingança, inveja, raiva, desejos, etc. Para os escorpianos, existe uma natureza dual em todo o mundo e, ao descobrirem a sua, entendendo-a e respeitando-a, poderão purificar-se e se iluminar.
SAGITÁRIO
Sobre o mito deste signo é obrigatório falarmos do Centauro, também chamado de Quíron, meio homem, meio cavalo, que vivia nas florestas da Trácia. Por sua vasta experiência, era sábio, mas também incivilizado e selvagem; recebia os filhos dos reis para serem ensinados por ele, pois era um sábio professor, grande filósofo, curador e, por ser metade homem e metade cavalo, tinha a percepção dos dois lados. Todo sagitariano, em algum momento de sua vida, descobre em si esta dualidade que o torna uma pessoa brilhante, com um grande conhecimento e percepção do divino. O seu lado selvagem não deseja limites e precisa de liberdade. Mas entre ter a percepção do divino e os limites do ser humano, a história é outra. A visão que ele tem da vida está longe da realidade com suas imperfeições e problemas, levando-os, muitas vezes, a ter dificuldades para crescer e explorar este lado brilhante que pode alcançar estrelas, enquanto cavalga pelo céu e terra.
CAPRICÓRNIO
Assim como o signo de Câncer está ligado ao arquétipo da mãe, o de Capricórnio está intimamente ligado ao do pai. As pessoas nascidas neste signo encontram na figura paterna uma idealização ou, ao contrário, uma relação extremamente difícil e, normalmente, somente enquanto adulto, consegue resolver o “pai” dentro de si, com tudo o que possa implicar esta referência. Temos também a figura de Pã, que significa “Totalidade” e que é protetor dos rebanhos e pastores, além de ser um deus venerado como força fecundante da natureza. Como o Centauro, sua figura é meio homem, meio animal com o dorso e rosto de homem, mas com chifres e patas de bode, com pelos no corpo e feições animalescas. Após seu nascimento, Pã foi abandonado por sua mãe, em função de sua aparência, resgatado por Mercúrio e levado ao Olimpo, tornando-se uma figura muito querida entre os deuses. Os capricornianos estão buscando esta totalidade, que envolve o espírito e a matéria, de forma a usarem seus talentos em benefício à humanidade, independente do que quer que façam para sobreviver, como Pã, que apesar de sua vida entre os deuses, morre; mas por um auxílio a Zeus em uma guerra, recebe a homenagem de caracterizá-lo na constelação de Capricórnio, imortalizando-o.
AQUÁRIO
Para os aquarianos, o mito que o simboliza é o de Prometeu, que roubou o fogo dos deuses. Zeus, o maior entre eles, tinha ciúmes dos talentos e habilidades dos mortais – os homens -, negando-lhes o uso do fogo. Como a atitude de Zeus estava errada, Prometeu, ele mesmo um deus, resolve roubar e ofertar o fogo dos deuses para os homens. Zeus, furioso, vinga-se, amarrando Prometeu a um rochedo. A cada dia, uma águia vinha devorar seu fígado. À noite, o fígado de Prometeu voltava a crescer, vivendo nesta agonia até que Hércules o libertou. Vemos o impulso da generosidade sem querer retorno nas pessoas nascidas sob o signo de Aquário, no mito de Prometeu, lembrando que os aquarianos têm uma visão nobre da humanidade, tanto que valoriza, ajudando-a de alguma forma a evoluir.
PEIXES
Gostaria de falar do mito de Peixes através de sua era, que está intimamente ligada ao advento do Cristianismo, lembrando que o mito não quer dizer se é algo verdadeiro ou não. Peixes é o símbolo principal desta era que cito que envolve a aspiração ao divino de uma forma interiorizada, através da busca do amor a Deus e ao próximo, um tema muito recorrente aos piscianos que procuram formas plenas de amar. Lembremos que Cristo era a encarnação de Deus no mundo e que os piscianos têm uma profunda necessidade de se integrarem ao Cosmos, vivendo a iluminação interior, transmitindo ao mundo esta verdade através de atos e sentimentos amorosos. Algumas figuras cristãs podem representar a essência deste signo: Madre Tereza de Calcutá, São Francisco de Assis e Chico Xavier manifestam o amor divino que está em todos nós.

“A IMAGEM DO MITO É UM REFLEXO DAS POTENCIALIDADES ESPIRITUAIS DE CADA UM DE NÓS. AO CONTEMPLÁ-LA, EVOCAMOS OS SEUS PODERES EM NOSSAS PRÓPRIAS VIDAS. QUANDO VOCÊ LER SOBRE UM MITO, PERGUNTE-SE EM QUAL PARTE, EM QUAL MOMENTO VOCÊ ESTA CONTIDO NELE”.


Serena Salgado